Arquitetura e suas origens

A linguagem artística e sua metodologia

A linguagem artística e sua metodologia.

linguagem artistica

Deve-se a Louis Marin e Jan Mukaravsky, mais recentemente, duas importantes abordagens semiológicas da linguagem artística.

O primeiro é bastante conhecido entre aqueles que se dedicam a Semiologia, em nosso meio tendo um trabalho sobre Poussin já traduzido para o inglês, além de inúmeras publicações em língua francesa. O segundo não mereceu, me nosso pais, maior divulgação excetuando o excelente apanhado que realiza Merquior sobre o único texto então existente, em tradução italiana – La funzione, lá Norma e II Valore Estético come Fatti Sociale (Torino, 1971) e servindo-se também, de algumas traduções esparsas em inglês e de citações da crítica especializada.

Ainda de Mukarovaky, encontramos o pequeno opúsculo publicado em espanhol, com o título Arte Y Semiologia (Madrid, 1971) com alguma circulação entre nós.

Marin produzia realizar alguma leitura com aplicações semiológicas, enquanto que Mukarosvsky adota a linha semiótica, dedica-se a teoria estética, fornecendo o embasamento para uma interpretação correta da linguagem artística.

Seguindo as pegadas de Marin, poderíamos afirmar que existe sensível diferença entre o artista, como produtor, e o público, como receptor. Mukarovsky destaca por sua vez, a complexidade de uma obra de arte, onde as individualizes dos componentes e das partes acabem por possuir um significado apenas parcial. Com a união desses diversos significados parciais teremos segundo ele o sentido geral da obra, da mesma maneira que existe mediação entre aquele que cria o signo (autor) e o destinatário (frutidor).

Seria então possível uma semiologia do pictórico? Marin alega que essa provável semiologia depararia com sua própria existência, na medida em que terminaria por constituir-se numa linguagem sobre o que deveria permanecer fora do campo da linguagem”. Essa contradição resultaria das duas direções em que se orientam os signos de obra artística, o visível e o visível, Repetindo Paul Klee “a arte não produz o visível, ela torna visível”.

Prosseguindo na indagação cumpriria perguntar se uma ciência da arte é exequível, no sentido de que não considerava mais o subjetivismo do frutidor, mas o sistema por meio do qual ele poderia ser olhado.

  1. Barthes observa, com propriedade que F. de Saussure acreditava que a Linguística seria, entre os vários sistemas de signos, apenas uma faceta da semiologia. Desta maneira, cada vez se torna mais difícil conceber um sistema de signos (imagens e objetos) sem que os seus significados não necessitem de conversão em linguagem verbal, para gozar de vida própria.

Ficamos em um círculo de saída difícil, sem o tropeço em algumas barreiras. As artes visuais não são objetos linguísticos, existindo mesmo divergência entre vários autores. Para Mukarovsky, a obra de arte distingue-se das demais, enquanto acentua, não a relação final com a realidade, mas o processo de formação da citada relação. A solução poderia estar, então, em analisar a obra de arte como metalinguagem.

Dentro, então desse percurso rigoroso de uma interpretação, onde a linguagem se manifesta, transformando-se em sistemas de significações, teríamos o ato de olhar substituído pelo que é dito, como uma espécie de texto figurativo, no sentido de captar as estruturas profunda do objeto artístico.

O Crítico português, Jose-Augusto França, adverte a respeito da importância da visão coincidindo, nesse ponto, com as recomendações de Marin, para quem, num quadro, devemos lançar o olhar pelo conjunto das formas, e seguir o diálogo das linhas e das cores, através de percursos sucessivos da visão, onde o visível e o visível constituiriam uma trama continua cumprindo a analise “distinguir e completar os fios’.

Os caminhos para uma leitura semiológica podem ser alcanças enquanto for possível dar uma estrutura, ao mesmo tempo em que os signos que estão na superfície da obra formam um conjunto de tópicos, criando um percurso dinâmico.

Na maneira às vezes inconsequente e aleatório é que se consegue destacar o aspecto sincrônico de uma unidade de visão.

Mukarovsky destaca que, para chegarmos a captar o sentido geral da arte, devemos ressaltar o papel de sua própria formação. Esse processo é o mais importante, quando falamos da obra arte. A própria história da arte nos demonstra que, em determinados períodos, as obras possuem um sentido aberto, o que não prejudica sua validade.

Em contrapartida, em outras poucas pode ocorrer o caso da duplicidade de sentidos, o que em nada diminui a força da mensagem.

O Autor já havia chamado a atenção para o que nomeia como artes espaciais (já que está ligado à correntes formalista herbáticas), tais como a Pintura a Escultura a Arquitetura – no sentido de que elas propõe-se ao frutidor como verdadeiros processo semânticos.

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