Arquitetura e suas origens

O Discurso dos Portugueses sobre Arquitetura

Os discursos portugueses sobre Arquitetura

lisboa antigamente

Considerando a existência de modelos tanto a nível conceptual quanto a nível formal e que este reflexo do primeiro, poderemos afirmar que a pluralidade de modelos que tem vindo a existir não são mais do que variações do mesmo conceito de habitar, inevitavelmente o conceito de habitar ajustado à estrutura do Poder e ajustável à sua necessárias cambiantes.

De uma situação de há vários séculos reportar-nos-emos apenas à nossa história próxima, para daí inferir a existência de pluralidade de modelos mais concretamente os de importação e os de inspiração tradicionalista. Quanto aos primeiros, a sua existência justifica-se uma vez que a situação sociocultural do País é um caso particular, “original” no contexto europeu, por se desenvolver um pouco à margem da experiência aí inovadoras, e que por esse motivo a evolução artística em Portugal se alimenta, ou passa pela importação de modelos ou movimento culturais, que assumem um peso muito superior ao das influencias normais que exercem noutras sociedades”. “Esses modelos não são diretamente aplicados (a não ser como exceção), mas antes transformados de algum modo (repensados, adaptados, integrados), recebendo um sentido novo, em que a tradição o já conhecido, tem grande importância, e está em contradição (dicotomia) permanente com o caráter radical desses modelos”. Por outro lado, “nesse processo de absorção desempenha papel importante a forma ou o tratamento em superfície, como consubstanciação de variadas tendências e estruturas entretanto desarticuladas e que essa forma se valoriza a fundamentalmente enquanto representação – fachada imagem – substituição de uma complexidade espacial nunca realizada”.

Logicamente a alteração de estruturas que corresponderia à mais profunda alteração de forma de vida não se velicando, justifica renovações de ordem formal de fachada, que por sua vez aparentam uma modernidade e um estar a par também eles caros à ideologia que permanece estável. Tal realidade é detectável desde o período de corrente “arte nova”, passando pelas realizações “arte decorativa” com edifícios de arquitetura “moderna como feição clássica, como o caso do prédio da Avenida de 5 de outubro, 215 de Pardak Onteiro (1929), ou a Agência Havas, de Carlos Ramos (1921), até às produções arquitetônicas do primeiro modernismo, em que os modelos importados são abandonados por chocarem com um meio ideologicamente muito diferente. É disto exemplo o cinema Eden, de Cassiano Branco (1930), em que “a seguir a um anteprojeto, ainda não inteiramente liberto de convencionalismos, realizou um projeto notável onde avultava uma fachada extremamente movimentada. A realização acabou por vir a ser um compromisso entre as duas soluções”.

Por outro lado, no pós-guerra, a situação de democracia europeia antevia-se como um período para a sociedade ultraconservadora, atingindo os meios artísticos em especial. “Esteticamente, claro, mas cada vez mais politicamente. Os modernos não eram seguros. Sobretudo, os modernos. E muito especialmente uma nova vaga (…) que virá a estar com o movimento de unidade democrática (MUD) que enfrenta o regime“. Foi este um dos primórdios fatores que levou a necessidade de recorrer a utilização de modelos características nacionais pertencentes quer a arquitetura de tradição popular rural, quer aos símbolos de um passado histórico glorificado – os monumentos – o que já era antecipado, por exemplos nas obras de Exposição Feira de Angola, de 1938 e na cúpula “rural” do prédio da Praça de Comércio. E isto é tanto verdade quanto, a Exposição de Arquitetura Portuguesa, em Londres, de Novembro de 1956, organizada pelo SNI em colaboração com o SNA, se expõem painéis, dos quais, como introdução cinco eram dedicados a monumentos, três a arquitetura popular tradicional e mais dois ou três edifícios em cuja legenda aparece designação de precursores (Cada da Moeda 1938; Gare Marítima de Alcântara 1944).

Por seu lado, com a Exposição do Mundo Português, de 1940 foi  dado um decisivo passo para a aceitação de um dirigismo artístico que se veio a traduzir na instituição de um estilo de arquitetura ao gosto oficial, cujo legal, sobretudo no campo das obras públicas, foram obras retóricas de sabor neoclássico, de que são exemplos a maior parte dos Palácios da Justiça do País, e os edifícios universitários de Lisboa e Coimbra”, seguidores de modelos estrangeiros de países com regimes políticos totalitários, do que se torna exemplos o C.U de Roma.

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