Arquitetura e seus Ritos

Arquitetura e os ritos da idade moderna

Arquitetura e os Ritos que deram inicio a uma fusão social

arquitetura e ritos

A importância do rito advém-lhe de seu caráter de necessidade para a manutenção da estrutura social, a qual confia na sua eficácia. Estamos perante uma eficácia entendida a dois níveis – o imaginário e o real. A necessidade sentida por uma comunidade de sinalizar momentos importantes provém da vontade de perpetuar a memória de fatos que pelo seu significado para o grupo se tornaram polos agregadores. Esta herança cultura consubstancia nos ritos a mitologia do grupo social a que pertence. Se casa se perder o sentido primário que fazia depender um comportamento ritual dos mitos que os justificavam, poderá eventualmente permanecer a rito como elemento de reconhecimento do grupo ou de coesão pelo reforço da vida de relação. Assiste-se a uma transferência da eficácia imaginária para uma predominante eficácia real. Esta eficácia, caracterizadamente de âmbito social, permite ainda ao grupo momentos de contestação e infração que, devido aso seu caráter permissivo controlado, garantem a permanência do grupo, que de outra forma seria destruído.

Sendo ponto assente que todo o grupo social mantém os seus mitos e correspondentes ritos, que a nosso ver se individualizam em função do grupo a que pertencem, também é um fato que, perante situações de grupos com interesses antagônicos, o que se apresenta em situação de dominação tenta através de uma homogeneização cultura veicular os seus próprios mitos e inerentes forma rituais.

É oportuno referia que a presença na grelha do parâmetro “ritos”, abarcando todos os casos considerados, se deve ao foto de se aceitar que todas as manifestações culturais construídas, pertença dos diferentes grupos sociais, refletem os respectivos ritos, nalguns casos já afetados pelo da classe hegemônica através da ação (já gerenciada) da sua frente cultural – a cultura de massa e os seus meios de comunicação. Refira-se que a alteração dos rituais se está a processar substituindo os que proporcionavam comportamentos gregários por outros que assentam em comportamos individualistas no seio da família. No primeiro caso, o grupo produz e simultaneamente é destinatário das práticas rituais, enquanto que no segundo ocaso, os elementos do grupo são apenas fundamentalmente espectadores dessas práticas.

Os rituais ligado a s estabilidade da vida rural e a dependência desta da “produção agrícola e artesanal de autoconsumo” que está em processo de transformação, e que era mínio a relacionem-no com o mundo exterior, criavam laços de estreita relação e personalização entre os membros da comunidade e inevitavelmente definiam formas construídas de grande unidade espacial e formal nos seus níveis interno e externo. Esta unidade a nível interno resulta da coerência que a tradição sedimentou entre um vocabulário formal reconhecido e as técnicas e materiais tradicionais que o modelo estatui, em função de formas de vida e molde de produção. Tal unidade interna generalizada a globalidade das manifestações construídas da comunidade implica a existência da referida unidade a nível externo de toda a obra arquitetônica, conseguindo-se de modo espontâneo – o que ainda constitui motivo de preocupação quanto mais não seja a nível de intenções de práticas dos técnico com formação acadêmica – a integração. É ainda procura da unidade que leva tais técnicos a problematizar questões como o da honestidade construtiva e de escala, que na maioria dos casos mascaram concessões a outros interesse, nomeadamente os de ordem econômica e status. Deste modo, a tão falada escala humana nas construções é abandonada quando a necessidade de assinalar simbolicamente o prestigio social e a condição imposta ou voluntariamente assumida.

A busca de unidade dos que inseridos numa sociedade de consumo se encontram coagidos por este procura de originalidade como obrigação e sujeitos ao “fetichismo do novo”, do continuo suceder de modas e correntes estéticas, as quais se ve obrigado a aderir com cartar de prioridade ou não fosse esse o “espirito” de toda a produção integrada numa ótica de economia capitalista, perde oportunidade ou mesmo sentido. Daqui decorre que a opção se fara entre a adesão a arquitetura de massa sem qualquer atitude crítica relativamente aquela situação cultura de tipo consumista e a procura da criação do objeto de arte, que pelas suas características servirá melhor a contemplação do que as suas funções primeiras.

E já que da arte e do belo se tem vindo falar, lembremos do autor com o qual iniciamos este artigo, o seu comentário a frase de Marx: A dificuldade não está em compreender que a arte grega e a epopeia estão ligadas a certas formas do desenvolvimento social. A dificuldade reside no fato de elas nos derem ainda uma fruição estética e terem para nós em alguns aspectos, o valor de normas e de modelos inacessíveis” , que é o seguinte “O efeito estético mais não é do que o prazer experimentado pelo espectador que se reconhece a ideologia imagética da obra”.

Para o autor “ideologia imagética” é entendida como uma combinação especifica de elementos formais e temáticos de imagem através da qual os homens exprime a maneira como vivem as suas relações com as suas condições de existência, combinação que constitui uma das formas particulares da ideologia global de uma classe”

Isto significa praticamente que é preciso, desde já, substituir a questão idealista, “o que é belo”, ou “porque é que esta obra é bela? ”, pela seguinte questão materialista: “Por quem, quando e porquê esta obra é sentida como bela”.

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