Campos Visual Estético

CAMPOS VISUAL ESTÉTICO LINHAS DE TENDÊNCIA

CAMPOS VISUAL ESTÉTICO (LINHAS DE TENDÊNCIA)

campos visual estetico

Proceder a uma análise estética pressupõe necessariamente a aceitação como ponto de partida, da existência de uma função precisa da estética no contexto da ideologia dominante.

A confirmação encontramo-la em Nicos Hadjinicolaou, ao afirmar: “Poder-se ia dizer que o papel da ideologia consiste a que não só em ocultar o nível econômico sempre determinante em última análise, mas em dissimular o nível que desempenha o papel dominante e o próprio fato da sua dominação. A região ou forma dominante do nível ideológico é precisamente aquela que, por inúmeras razões, melhor cumpre a função particular de máscara”. Podemos afirmar que a região do nível ideológico que corresponde a produção de imagens é a região da ideologia estética.

Para além desta premissa consideramos da maior importância o ator comunicação, dado que são os aspectos visuais / estéticos que assumem privilegiadamente esse papel de agentes de comunicação, através de código identificáveis em maior ou menor grau. Partindo do princípio da necessidade de códigos comuns ao emissor e ao receptor para que se possa proceder a descodificação da mensagem emitida, alguns autores consideram que “ para uma sã evolução da arquitetura moderna é necessário que está se semantise, ou seja, que justifique cada criação nova através de adoção de formas que semanticamente sejam obvias e de comunicabilidade bem clara”. Resemantizar a linguagem arquitetônica significa instituir um código entre os técnicos e a sociedade de massa, institucionalizar um ponto comum de contato no qual se possam aceitar ou discutir os valores e os significados desta novo “mass media”.

Desta forma se nega, a nosso ver, a existência de grupos sociais diferenciados e de interesses antagônicos com linguagens próprias cuja distinção indica o seu posicionamento de classe e ainda procura escamotear a evidencia de que a cultura de massa é agente de dominação de um dos grupos de presenta – a classe economicamente dominante. Por outro lado, esta atitude encobre a realidade social, recorrendo à mistificação encantadora que o termino “imaginário coletivo” contém. Se aceitarmos a definição de Renato de Fusco de que “o imaginário coletivo se pode considerar como um substituído do código referencial, daquele esquema paradigmático a que conduzia a morfologia da arquitetura clássica, aos fins concretos da significação, termos de considerar que o seu objetivo se identifica com a evolução de um espirito geral, conceito cujo carácter de classe é bem evidente: “ Esse conjunto  geral de que a produzirão de imagens faria parte (o espirito, a cultura e a sociedade, a civilização), é ai um conjunto homogêneo harmonioso, sem falha nem contradições. E quando há contradição ela corresponde às contradições inerentes ao espirito e nunca as contradições provocadas pela divisão da sociedade em classes.

Neste sentido, facilmente se compreende a razão da existência do parâmetro comunicação em todas as manifestações culturais construídas referidas no quadro anexo, considerando que esta comunicação se processa dentro de cada grupo produtor das respectivas imagens construídas. Uma vez mais se faz notar, que na verdade, quem rejeita tal distinção acaba por reforçar às vezes de um modo inconsciente a posição de supremacia que uma delas já detém, ao tentar reatar o diálogo da arquitetura com uma sociedade encarada em bloco, que, a existir, não será certamente a nível econômico, mas a nível ideológico – perante o qual a posição progressista teria de ser uma demarcação político-ideológica, no sentido de reformar a classe em situação subalterna.

Os considerados produzidos anteriormente a propósito da existência de modelos quando se procedeu a analise espacial mantém-se validos para a presente analise. Como elementos identificadores de grupo e incluídos no fenômeno da comunicação, também eles deverão ser entendidos e consequentemente analisados no contexto de grupo a que pertencem. É esta posição que permite assinalar a existência de modelos em todas as manifestações culturais construídas consideradas. Dada a dependência dos modelos relativamente aos ritos, também estes deverão estar sujeitos a considerações de análogo. Esta alusão ao rito poderia, à primeira vista parecer despropositadas não fosse a importância de que se reveste nas práticas arquitetônicas, nomeadamente nas construções que para um grupo assumem caráter simbólico as que abriguem objetos titias, tempos todas as dedicadas as práticas culturais se caracterizam pela sua função não utilitária. Por outro lado, as funções segundas são hoje em dia normalmente consideras de igual valor quando confrontadas, com as vulgarmente identificadas como funções primeiras. No caso particular do rito estas considerações tornam-se de tal modo relevante que se poderá afirmar com Amos Rapopport que “na maior parte dos povos primitivos e agrários o que distingue estas populações uma das outras não é sua vida material – o que geralmente varia pouco – mas sua vida ritual, e isto reflete-se inevitavelmente nas construções.

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