Projetos de Arquitetura

Os Discursos da Arquitetura

Projetos de Casa, Confluência de Discursos

os discursos da arquitetura

Todas as atitudes que sobressaem da normalidade têm sofrido a seu tempo forte oposição, não se excluindo desta regra as manifestações renovadoras havidas no campo arquitetônico. Trata-se da inevitável reação perante a incomunicabilidade de “novas situações”, que resulta também em arquitetura, da alteração dos códigos conhecidos. Neste campo, a função comunicativa-inerente a qualquer produto da ação humana, dado que estabelece elos para a identificação ao grupo e ao sitio, cria as condições essenciais à existência de diálogo, relegando para um outro plano toda a função informativa, que , pelo seu caráter introdutor de novas linguagens, apenas poderá ser compreendida num novo contexto em que a adquira significação. De fato não havendo articulação do objeto arquitetônico portador de nova linguagem com os códigos preexistentes, não será viável a comunicação. Não se pretende com isto afirmar a necessidade de manutenção de códigos tornados obsoletos, mas sim que sejam respeitadas parte das formas tradicionais reconhecíveis, e por esse fato identificáveis. São as, por alguns autores denominadas “faixas de redundância”.

OS DISCURSOS DA ARQUITETURA

“Assim como considera Aristóteles na sua Poética: Não posso instituir momentos de alta informação senão apoiando-os em faixas de redundância”.

A predominante preocupação do arquiteto pelo caráter de comunicação das formas construídas reflete um empenhamento  de ordem social e um equacionar da problemática da relação existente entre a arquitetura e a sociedade quando falor de Design de interiores – Barbara Borges Design. Tal problemática apresenta-se-nos hoje particularmente complexa, dado que “o arquiteto (a menos que formule no papel um modelo utópico) não pode ser arquiteto senão inserindo-se num circuito tecnológico e econômico e procurando assimilar-lhe as razões, ainda quando quer contestá-las” Por esse motivo a maioria da produção arquitetônica utiliza os códigos uniformizadores da sociedade de consumo e deste modo transforma-se em referencial de uma linguagem aceite pela sociedade que nela se vai reconhecendo. Assim, a comunicação só é possível entre a sociedade e a arquitetura de massa e é neste contexto que a práxis do arquiteto se deve definir.

A inserção num discurso de entendimento ou agrado da massa utente, sem o necessário questionamento que levaria forçosamente à perda de “benefícios pessoais”, é a prática mais corrente do arquiteto, que assim se transforma interessadamente em promotor responsável da arquitetura de consumo, e tanto mais responsável quanto a sua situação de técnico o institui em modelo a seguir, por todos quantos encaram a arquitetura exclusivamente no seu valor de troca, numa economia de mercado. Compete-lhe indubitavelmente “não defraudar as expectativas da massa utente”. Tal como refere O. Bohigas, um dos meios básicos para manutenção da sociedade de consumo consiste em nunca pôr em crise a mentalidade conservadora, para o que será fundamental contribuir para a permanência dos suportes básicos desta sociedade, a saber: O consumismo e a tecnologia, sendo necessário a este primeiro suporte atitudes que não defraudem as expectativas ou permitam a criação de “outras igualmente imediatas e rudimentares”.

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Por outro lado, a tentativa de fuga a esta situação vem permitindo aos arquitetos práticas alternativas, todas elas assentes na procura e utilização de novas linguagens, com a consequente e inevitável perda de interlocutores, situação mais ou menos assumida e conscientemente. Por isso se assiste a crises de desalento pela incompreensão das obras, crises essas geradoras de profunda discussões em torno da problemática da comunicação em arquitetura, que muitas das vezes conduzem a uma subordinação às regras ditadas pelo consumismo. Tal situação é tanto mais possível como menor for o apoio dado pela formação teoria global, que permita um enquadramento e compreensão dos fatos e os perspective num quadro de opções fundamentadas. Essa consciência não poderá produzir o arquiteto conformista, mas, pelo contrário, levá-lo-a a um atuação no sentido de salientar as contradições de um sistema ao qual se recusa aderir.

Este fenômeno de incomunicabilidade abarca as situações utópicas arquitetônicas que soba a aparência de vanguardismo mantêm uma conotação simbólica dentro dos parâmetros conservadores. Podem incluir-se nesta categoria e na generalidade quer os inovadores de linguagens formais quer todos os que, desligados dos “códigos de base” que definem contexto social, avançam para uma prática de antecipação de um modelo social, traduzido em significantes arquitetônicos desajustados da realidade e que não contemplam a dialéctica inerente a qualquer processo de transformação.

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